Doença Inflamatória do Intestino

A doença de Crohn (DC) e a colite ulcerosa (CU) são as duas formas mais comuns da doença inflamatória do intestino (DII). Sob este termo englobam-se uma série de transtornos inflamatórios crónicos auto-imunes do trato gastrointestinal.
A doença de Crohn pode afetar qualquer segmento do tubo digestivo, desde a boca até ao ânus, enquanto a colite ulcerosa afeta apenas o intestino grosso, ou seja, o cólon e/ou o reto.

Tanto a doença de Crohn como a colite ulcerosa podem ser dolorosas e incapacitantes e, por vezes, derivam em complicações graves que afetam significativamente a qualidade de vida dos doentes.

Na União Europeia estima-se que entre 2,2 a 3 milhões de pessoas sofram de colite ulcerosa ou de doença de Crohn.

Os dados de incidência e prevalência da doença de Crohn e da colite ulcerosa variam de país para país, mas tratam-se fundamentalmente de doenças das zonas mais desenvolvidas da Europa e da América do Norte e menos presente na Ásia e no Médio Oriente. A prevalência da DC oscila entre os 1,5-213/100.000 e a CU entre os 2,4-294/100.000.

De acordo com um estudo de prevalência da DII em Portugal (Pharmacoepidemiology and Drug Safety, 2010;19:499-510), verificou-se um aumento de 68/100.000 doentes em 2003 para 146/100.000 doentes em 2007. Para a Colite Ulcerosa, a prevalência aumentou de 42/100.000 doentes em 2003 para 43/100.000 doentes em 2007. Para a Doença de Crohn, a prevalência aumentou de 71/100.000 doentes em 2003 para 73/100.000 doentes em 2007.

Embora a doença inflamatória do intestino possa aparecer em qualquer idade, na maior parte dos casos os doentes são diagnosticados na segunda ou terceira década de vida.

As razões pelas quais surgem estas doenças são complexas e pouco conhecidas, estando implicada a interação entre o sistema imunitário, o meio-ambiente e a genética de cada indivíduo. Factores ambientais, como o stress, ou as infeções, podem também estar na origem destas patologias. O tabagismo e a apendicectomia são também considerados factores que podem estar relacionados com o aparecimento e a evolução desta patologia.

Embora a doença de Crohn e a colite ulcerosa apresentem sintomas específicos, muitos deles são comuns. As manifestações mais frequentes são as intestinais e dependem da localização da doença: dor abdominal, diarreia com ou sem muco e sangue, perda de peso, prisão de ventre, fístulas, úlceras, debilidade, cansaço, febre e falta de apetite. Em certas ocasiões podem aparecer manifestações extra-intestinais, como a inflamação dos olhos, lesões da pele, dor nas articulações e cálculos (pedras) nos rins ou na vesícula.

Uma vez desencadeada, a doença inflamatória do intestino evolui em crises de intensidade e duração muito variável, aquilo que se conhece como a fase activa, alternando com períodos de remissão de duração também variável e que constituem os períodos da fase inactiva.

De uma forma geral, a progressão da doença vai desde a doença leve, passando a uma fase de doença moderada e culminando numa fase de doença grave. Inicialmente produz-se uma inflamação da mucosa, que provoca, com o passar do tempo, a formação de fissuras e fístulas que desencadeiam toda a sintomatologia associada.

Tratamento

O tratamento da DII tem como objetivo induzir e manter a remissão da doença bem como alargar os períodos de tempo nos quais os doentes não têm sintomas nem episódios da doença.

A ausência de um tratamento curativo conhecido e a diferente evolução que esta doença pode ter dependendo do doente, justifica a necessidade de novas opções terapêuticas para a DC e CU que consigam reduzir os sintomas e permitam obter a remissão clínica.