Doença de Refluxo Gastro-Esofágico (DRGE)

A DRGE é uma doença que ocorre quando o refluxo gastro-esofágico (RGE) provoca sintomas incómodos, diminuição da qualidade de vida dos doentes, ou ainda certas complicações. O RGE define-se como a passagem de conteúdo do estômago para o esófago.

Os doentes com DRGE podem ter sintomas mais ou menos incómodos e apresentar ou não complicações. Esta variabilidade depende de fatores como a duração dos episódios de RGE, o volume e a agressividade (maior ou menor acidez) do material refluído, o tempo de contato deste material com a mucosa esofágica, a sensibilidade de cada pessoa perante o estímulo do ácido, etc. Os sintomas mais frequentes da DRGE são a pirose (azia), a regurgitação alimentar e a dor torácica, e entre as complicações destacamos a esofagite erosiva, a estenose esofágica, o esófago de Barrett e a laringite.

Dados do Observatório Nacional de Saúde (ONSA) referem que esta doença apresenta uma prevalência de 35% na população portuguesa com mais de 18 anos. Estudos epidemiológicos revelam ainda que10-20% da população dos Estados Unidos da América e da Europa Ocidental padecem de DRGE e que a maioria destes doentes (70-90%) não apresenta esofagite erosiva.

A DRGE diminui, por definição, a qualidade de vida dos doentes, mas não deve ser considerada uma doença grave de acordo com o conceito habitual deste termo. Na grande maioria dos casos a doença é leve ou moderada, sem complicações preocupantes, controlável com hábitos de vida saudáveis e/ou com tratamento farmacológico, sendo imprescindível o tratamento cirúrgico apenas numa minoria de doentes.

A DRGE não é uma doença homogénea e o tratamento deverá ser individualizado, dependendo da presença de esofagite ou outras complicações, bem como da intensidade e da apresentação diária ou ocasional dos sintomas. No tratamento farmacológico, o inibidor da bomba de protões (protetor gástrico) é considerado o tratamento mais adequado, já que demonstrou a sua eficácia no tratamento da DRGE, tanto no controlo dos sintomas como na cura da esofagite. Outros fármacos utilizados para o tratamento desta doença são os antiácidos (almagato, magaldrato, etc) e os antagonistas H2 (cimetidina, ranitidina, famotidina, etc).